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Enciclopédia Ilustrada do Choro no Séc. XIX

Satyro Bilhar

Bilhar, Satyro
  • Compositor
  • ∙ Funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil
  • ∙ Pianista
  • ∙ Violonista

Foi tio da pianista e compositora Branca Bilhar (1887–1936). Luís Edmundo em seu livro de memórias O Rio de Janeiro do meu tempo descreve Bilhar como “bohemio desregradíssimo, mas, funcionário exemplar da Estrada de Ferro Central do Brasil”. Compositor de modinhas, lundus e polcas como a famosa Tira Poeira, o “velho Bilhar”, como a ele se refere Alexandre Gonçalves Pinto, além de muito querido foi uma figura lendária no meio dos chorões. Ernesto Nazareth dedicou o choro Tenebroso “ao bom e velho amigo Satyro Bilhar”, destacando as “baixarias” do seu violão como um retrato de sua voz grave e rouca. Villa-Lobos afirmou que sua Bachiana nº1 “foi composta à maneira de Satyro Bilhar”. Catulo da Paixão Cearense, seu grande amigo e companheiro na roda dos chorões, lhe dedicou uma poesia: Tu Bilhar, boêmio eterno e a poesia para valsa Predileta de Anacleto de Medeiros. José Bulhões e J. Francisco da Fonseca Costa, o Costinha, ambos pianistas, dedicaram-lhe os schottischs Coração Fiel (“ao inteligente amigo Satyro Bilhar”, de Bulhões) e Heroína (Costinha). Mestre Donga, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, se recorda: “[…] o som que ele tirava era bonito […] Bilhar era extremamente musical e diferente dos outros. A harmonia dele era muito rica. Eu até fico maluco falando dele. Ele era engraçadíssimo, fora do comum. Era muito carinhoso. Entrava numa festa, ia direto para a cozinha, procurava a dona da casa e dizia-lhe: ‘A senhora é o sol do Brasil’. O seu repertório se resumia a quatro músicas, mas como se desdobravam. Por exemplo: Tira Poeira ele tocava como choro, depois repetia o Tira Poeira como valsa. Ele mudava a harmonia. Dali a pouco tirava uns sons de harpa. E assim ele fazia o baile. Desenvolvia os temas. Com quatro músicas ele acabava com o baile.”

Datas de nascimento e morte aproximadas.

Fonte de pesquisa

1. PINTO, Alexandre Gonçalves. O Choro — reminiscências dos chorões antigos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Funarte, 1978. (p. 52, 53, 57, 61, 63, 67, 77, 78) 2. FERNANDES, Antônio Barroso (org.). As Vozes Desassombradas do Museu: Pixinguinha, Donga e João da Baiana — Depoimentos para a posteridade realizados no Museu da Imagem e do Som. Rio de Janeiro: Secretaria de Educação e Cultura, 1970.

Natural

Rio de Janeiro - RJ